Friday, February 26, 2010

Poemas de Santa Teresa D´Ávila. Uma mulher atual que suas palavras estão vivas! O que o mundo precisa é de mulheres assim!!

Nada te perturbe!

Nada te perturbe!
Nada te espante,
Pois tudo passa,
Só Deus não muda,
Tudo a paciência,
Por fim alcança.
Quem a Deus tenha,
Nada lhe falta,
Só Deus basta.

Feliz o que ama a Deus.

Ditoso o coração enamorado
Que só em Deus coloca o pensamento;
Por Ele renuncia a todo o criado,
Nele acha glória, paz, contentamento.

Vive até de si mesmo descuidado,
Pois no seu Deus traz todo o seu intento.
E assim transpõe sereno e jubiloso
As ondas deste mar tempestuoso.

"Dilectus Meus Mihi
Toda me entreguei, sem fim,
e de tal sorte hei trocado,
que é meu Amado para mim,
e eu sou para meu Amado.

Quando o doce Caçador
me atirou, fiquei rendida,
entre os braços do amor
ficou minha alma caída.

E ganhando nova vida,
de tal maneira hei trocado,
que é meu Amado para mim,
e eu sou para meu Amado.

Atirou-me com uma seta
envenenada de amor,
e minha alma ficou feita
una com seu Criador.

Eu já não quero outro amor,
que a meu Deus me hei entregado,
meu Amado é para mim,
e eu sou para meu Amado.

Buscando a Deus
Alma, buscar-te-ás em Mim.
E a Mim buscar-me-ás em ti.
De tal sorte pôde o amor,

Alma, em mim te retratar,
Que nenhum sábio pintor
Soubera com tal primor
Tua imagem estampar.

Foste por amor criada,
Bonita e formosa, e assim
Em meu coração pintada,
Se te perderes, amada.

Alma, buscar-te-ás em Mim.
Porque sei que te acharás
Em meu peito retratada,
Tão ao vivo debuxada,
Que, em te olhando, folgarás

Vendo-te tão bem pintada.
E se acaso não souberes
Em que lugar me escondi,
Não busques aqui e ali,

Mas , se me encontrar quiseres,
A Mim, buscar-me-ás em ti.
Sim, porque és meu aposento,
És minha casa e morada;

E assim chamo, no momento
Em que de teu pensamento
Encontro a porta cerrada.
Busca-me em ti, não por fora…

Para me achares ali,
Chama-me, que, a qualquer hora,
A ti virei sem demora,
E a Mim buscar-me-ás em ti.

Nas mãos de Deus
Sou vossa, sois o meu Fim:
Que mandais fazer de mim?
Soberana Majestade
E Sabedoria Eterna,

Caridade a mim tão terna,
Deus uno, suma Bondade,
Olhai que a minha ruindade,
Toda amor, vos canta assim:

Que mandais fazer de mim?
Vossa sou, pois me criastes,
Vossa, porque me remistes,
Vossa, porque me atraístes

E porque me suportastes;
Vossa, porque me esperastes
E me salvastes, por fim:
Que mandais fazer de mim?

Que mandais, pois, bom Senhor,
Que faça tão vil criado?
Qual o ofício que haveis dado
A este escravo pecador?

Amor doce, doce Amor,
Vede-me aqui, fraca e ruim:
Que mandais fazer de mim?
Eis aqui meu coração:

Deponho-o na vossa palma;
Minhas entranhas, minha alma,
Meu corpo, vida e afeição.
Doce Esposo e Redenção,

A vós entregar-me vim:
Que mandais fazer de mim?

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